Fobrasa - Guilhotinas hidraulicas,Prensas viradeiras,Tornos,Fresadora.
Esta é uma versão otimizada para celulares.

Marli Olmos e Sérgio Bueno, de São Paulo e Porto Alegre


Silvia Costanti/Valor Tim Lee, presidente mundial das operações internacionais da GM, leva para os EUA iniciativas surgidas no Brasil

Perto de completar 42 anos de trabalho na companhia, dias atrás, o vice-presidente de manufatura da General Motors no Mercosul, José Eugênio Pinheiro, parou para rever um antigo desenho do projeto do prédio da administração da fábrica de São Caetano do Sul, a mais antiga da montadora no Brasil. A beleza do traçado, um projeto de 1928, atrai a admiração até dos menos entendidos em arquitetura. Mas o que mais chamou a atenção de Pinheiro foi lembrar que a filial brasileira, naqueles tempos, dependia da matriz para tudo. Até a planta do belo prédio foi desenhada nos Estados Unidos. Oito décadas depois, a situação é bem diferente. A filial brasileira é independente para criar novos veículos e há tempos fornece projetos para a própria matriz.

Há poucos dias, José Eugênio Pinheiro voltou a ser o anfitrião de um antigo colega da área manufatura nos Estados Unidos. O americano Tim Lee passou três dias visitando a General Motors no Brasil. Não foi a primeira vez que ele veio ao país. E como em todas as outras, Pinheiro seguiu quase todos os seus passos. Desta vez, porém, a visita teve uma conotação bem diferente.

Com quase o mesmo tempo de casa que seu colega brasileiro, Lee, que passou as quase quatro décadas da montadora no comando da área de manufatura, nos Estados Unidos e Europa, agora é quem manda em toda a operação da companhia fora da América do Norte.

Desde que o governo de Barack Obama tornou-se o principal acionista da General Motors, depois de socorrer a montadora da beira da falência, há um ano, havia uma grande expectativa dentro da empresa do que viria pela frente em termos de comando na companhia. O governo americano, de fato, trouxe executivos novos para o comando geral, como Ed Whitacre, presidente mundial, o que não chegou a ser uma grande surpresa.

Mas foi uma grata notícia, para a equipe brasileira, saber que o antigo colega do grupo de manufatura foi galgado ao posto do comando mundial das operações internacionais. Sediado em Xangai desde dezembro, Lee é quem vai cuidar das operações que devem fazer a companhia crescer e compensar a crise que a levou a pedir concordata em 2009, após o aprofundamento da crise financeira iniciada em 2008.

Poucos estão tão familiarizados como Tim Lee com as aptidões da operação brasileira. Durante a visita à fábrica de São Caetano do Sul (SP), no seu segundo dia no Brasil, o executivo americano reviu um processo desenvolvido na linha de montagem brasileira e que quatro anos atrás ele próprio decidiu copiar e levar para os Estados Unidos. Segundo explica Pinheiro, trata-se de uma solução para que o empregado possa verificar os níveis de qualidade antes mesmo de iniciar o trabalho. "Fomos nós que ensinamos e, segundo Lee, o processo foi implantado nas demais fábricas da GM", diz Pinheiro.

Um dia antes, numa entrevista à imprensa brasileira, Lee esbanjou elogios à engenharia brasileira depois de visitar o centro de desenvolvimento de produtos. Disse que via potencial de uso dos projetos brasileiros em outras fábricas da General Motors. "Pelo menos três de cada quatro projetos daqui poderão ser usados em outras partes", disse o executivo.

A independência no desenvolvimento de produto também facilita os planos da General Motors de, cada vez mais, dedicar a produção das suas fábricas para o abastecimento dos mercados onde estão instaladas. "A chave desse negócio hoje é ser esperto o suficiente para vender onde se produz", afirma Lee.

Além de produzir para o mercado interno, a companhia prepara-se para elevar a nacionalização dos seus veículos e, ainda, utilizar cada vez mais fornecedores próximos das linhas. José Eugênio Pinheiro lembra, aliás, das vantagens da regionalização do fornecimento na redução de custos com qualidade. "Às vezes a gente se dá conta de um problema em uma peça e não pode interromper a viagem de centenas de outras iguais que vêm de longe", afirma o executivo. Segundo ele, num produto importado, são 30 a 40 dias de trânsito. "É mais lógico a gente recorrer ao produto local", diz.

Para Pinheiro, com a perspectiva de aumento da produção d das vendas no mercado interno, volumes maiores de encomendas de componentes deverão justificar investimentos para fornecedores que até aqui não haviam alcançado escala suficiente para justificar uma nova linha ou mesmo fábrica mais próxima de uma montadora. O Brasil prepara-se para a produção de pelo menos 3,3 milhões de veículos em 2010, um dos poucos países onde o consumo interno de veículos deverá crescer de forma significativa este ano.

A construção de uma fábrica da GM no Rio Grande do Sul há dez anos trouxe grandes benefícios para a indústria de autopeças da região, segundo o presidente da fabricante de direções hidráulicas e mecânicas DHB, Luiz Carlos Mandelli, que também é membro do Sindicato Nacional da Indústria de Autopeças. A DHB fornece todas as direções para os carros produzidos pela GM em Gravataí e, segundo Mandelli, os volumes dobraram em dez anos. A parceria abriu as portas para o abastecimento das fábricas da montadora também em São Paulo. Hoje a GM absorve 45% do volume produzido pela DHB, que chega a 1 milhão de unidades por ano.

Fonte: Valor Econômico - São Paulo/SP - EMPRESAS
01/03/2010


Criado em 01/03/2010.

<< Voltar


Esta é uma versão otimizada para celulares. Acesse o site completo aqui