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Aço pode ficar mais caro para automóveis


Setembro foi o mês do aumento do aço no setor de distribuição, e a Usiminas negocia uma alta de 12% com os clientes automotivos, segundo o Sindipeças. Nelson Ferreira, conselheiro da entidade, disse que algumas empresas do setor automotivo já estão pagando mais caro pelo insumo.

O aumento deve ficar em torno de 7,5% e 10% conforme Sérgio Leite, vice-presidente de negócios da Usiminas.

A empresa anunciou durante a divulgação dos resultados trimestrais que começou a negociar em outubro a redução de descontos para o setor industrial. Segundo Leite, uma parte dos preços para estes clientes já foi atualizada em outubro, enquanto o restante deve ocorrer em novembro e dezembro. Segundo o Sindipeças, a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que também vende aços planos, ainda não tomou nenhuma iniciativa quanto aos reajustes.

O Instituto Aço Brasil (IABr), que representa as siderúrgicas brasileiras, não comenta o aumento de preço que estaria em negociação pela Usiminas por se tratar de uma "relação entre empresa e cliente", mas seu vice-presidente executivo, Marco Polo de Mello Lopes, reiterou que ainda não houve nenhum reajuste até o momento.

Segundo Ferreira, essa alta no setor deve provocar aumentos nos preços. O setor teme que isso incentive ainda mais a importação de autopeças prontas pelas montadas. "Isso pode ser um tiro no pé das siderúrgicas que não vão vender tanto aço para o setor automotivo devido ao aumento das importações de produtos prontos", disse o conselheiro do Sindipeças.

AMEAÇA. Ferreira disse que é possível importar aço 8% mais barato do que o valor da usina nacional. "Algumas empresas de estamparia estão estudando a importação de aço em conjunto para trazer lotes maiores", disse. Ele explicou que muitos fornecedores de autopeças tinham temor de importar devido às dificuldades logísticas, mas disse que este temor está diminuindo devido à grande oferta de aço no mundo e ao câmbio apreciado, que barateia as importações, mesmo com a alíquota de 12% fixada em julho sobre a importação de aço.

Para Lopes, do IABr, o aço está sendo usado como instrumento para a indústria consumidora aumentar seus preços neste momento de recuperação na demanda final. "Não vamos servir para alavancar os preços dos nossos consumidores. Estamos nos movimentando para mostrar que o aço não é um vilão", afirmou. Segundo ele, o IABr se reuniu com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, após o ministro ter declarado que o governo poderia retirar a alíquota de importação do aço caso ocorressem aumentos de preço no insumo.



Criado em 24/11/2009.

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